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ECRtest

Questionário ECR-R: Experiences in Close Relationships, Revised

A ECR-R mede o apego em adultos em duas escalas: ansiedade de apego e evitação da intimidade. R. Chris Fraley, Niels G. Waller e Kelly A. Brennan publicaram o questionário em 2000, e desde então a escala segue como um dos instrumentos padrão da pesquisa sobre relacionamentos.

Texto: redação do ECRtest · Atualizado em 5 de outubro de 2026 · 10 min de leitura

Em resumo

  • 36 afirmações: 18 sobre ansiedade de apego e 18 sobre evitação da intimidade.
  • As respostas vão de 1 a 7, e a pontuação de cada escala é uma média simples.
  • As normas de Fraley vêm de uma amostra online de pelo menos 17.000 pessoas.
  • A segunda parte do nosso teste, a ECR-RS, pergunta sobre pessoas específicas da sua vida.

O que é a ECR-R e de onde vem

A ECR-R é um questionário de autorrelato: você avalia o quanto afirmações sobre relações próximas descrevem você. Foi apresentada por R. Chris Fraley, Niels G. Waller e Kelly A. Brennan num artigo de 2000 (Fraley et al., 2000). Chris Fraley, o primeiro autor, mantém uma página sobre o instrumento com as afirmações, a chave de pontuação e as normas.

A antecessora, a ECR, surgiu em 1998. Brennan, Clark e Shaver reuniram 323 itens dos questionários de apego da época e mostraram que, por baixo deles, existem duas dimensões separadas: ansiedade e evitação (Brennan et al., 1998). Dois anos depois, Fraley e colegas selecionaram os itens de novo com a teoria de resposta ao item (TRI), para que as escalas diferenciassem as pessoas com mais precisão. Daí o R do nome: revisada.

A ideia central dos dois questionários é que o apego adulto é um ponto em dois eixos, e não um rótulo. Isso foi testado depois de forma direta: uma análise taxométrica de duas grandes amostras concluiu que o apego adulto se comporta como dimensões contínuas, e não como tipos distintos (Fraley et al., 2015).

Como o questionário é construído

As afirmações se dividem em duas metades. 18 tratam da ansiedade de apego: o medo de que alguém próximo perca o interesse, esfrie ou vá embora. As outras 18 tratam da evitação: o desconforto quando a relação fica muito próxima e é preciso contar com alguém. Cada afirmação é avaliada de 1, “discordo totalmente”, a 7, “concordo totalmente”.

Escalas da ECR-R

Escalas da ECR-R
EscalaAfirmaçõesItens invertidosO que mede
Ansiedade189, 11medo de perder a proximidade e o amor
Evitação1820, 22, 26-31, 33-36desconforto com a proximidade e com depender dos outros

A numeração segue a ordem original da página de Fraley. Na pesquisa, e no nosso teste, as afirmações aparecem misturadas.

Algumas afirmações são formuladas ao contrário, então concordar com elas indica um nível baixo, e não alto. É uma proteção padrão contra o hábito de concordar com tudo e também ajuda a identificar respostas descuidadas. As afirmações falam de relacionamentos amorosos em geral, então quem não está num relacionamento agora também pode responder: basta pensar em experiências passadas e em como costuma se sentir.

Como a pontuação é calculada

A chave de pontuação é simples o bastante para conferir à mão, com papel e caneta ou uma planilha comum. O resultado são dois números, um para cada escala.

  1. As respostas dos itens invertidos são invertidas na conta: 1 vira 7, 2 vira 6, e assim por diante, o que equivale a subtrair a resposta de 8.
  2. A pontuação de ansiedade é a média de todas as respostas da primeira escala e fica entre 1 e 7.
  3. A pontuação de evitação é calculada do mesmo jeito, com a segunda escala.
  4. Não existe pontuação total: as escalas são calculadas separadamente e nunca somadas.

Por exemplo, se você respondeu 6 a um item invertido, a resposta conta como 2. Se suas respostas de ansiedade, depois da inversão, têm média 3,8, essa é a sua pontuação de ansiedade. Desde 5 de junho de 2013, a página de Fraley traz uma correção na chave: o item 21 não é invertido, e os itens 22 e 36 são. Cópias com a chave antiga ainda circulam na internet, e é por isso que sites diferentes às vezes dão pontuações diferentes para as mesmas respostas. Nós usamos a chave corrigida.

AnsiosoEvitativotemerosoSeguroEvitativo

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Normas e percentis

Uma pontuação, por si só, diz pouco: precisa de algo com que ser comparada. Fraley publicou as médias da sua amostra online do início dos anos 2000: pelo menos 17.000 pessoas, 73% delas mulheres, com idade média de 27 anos. O próprio autor recomenda tratar essas normas com alguma cautela, já que a amostra não é representativa. Para quem faz o teste hoje, a comparação é útil, mas não é a palavra final.

Normas da ECR-R na amostra de Fraley

Normas da ECR-R na amostra de Fraley
EscalaMédiaDesvio padrão
Ansiedade3,561,12
Evitação2,921,19

As duas escalas estão relacionadas: correlação 0,40. As médias de homens e mulheres são quase idênticas.

O percentil indica quantas pessoas da amostra de referência, em cada 100, ficaram abaixo da sua pontuação. Para a ECR-R, calculamos esse valor a partir de uma distribuição normal com essas médias e desvios padrão. Se você informar a idade, o resultado ganha uma segunda linha que compara você com pessoas da sua idade, usando uma fórmula que Fraley também publica. A evitação provavelmente tem uma leve assimetria à direita, por isso os percentis no topo da escala ficam um pouco inflados.

As normas vêm principalmente de participantes de língua inglesa. Num estudo com 62 regiões culturais, o estilo ansioso era mais comum no Leste Asiático (Schmitt et al., 2004), então a comparação com uma amostra majoritariamente americana desloca os resultados em algumas línguas. Quando tivermos dados próprios suficientes, será possível calcular normas para cada língua separadamente.

Como dois eixos viram quatro estilos

Para pesquisa, Fraley desaconselha dividir as pessoas em tipos e recomenda trabalhar com as duas pontuações. Para explicar um resultado a uma pessoa, porém, um rótulo ajuda, e, se for para dividir, a sugestão do autor é cortar cada escala na mediana. Nós cortamos nas médias das normas: numa distribuição normal, média e mediana coincidem.

  • As duas escalas abaixo das médias: seguro.
  • Ansiedade na média ou acima, evitação abaixo: ansioso.
  • Evitação na média ou acima, ansiedade abaixo: evitativo.
  • As duas escalas na média ou acima: evitativo temeroso, também chamado de desorganizado.

Se o ponto fica a menos de um quarto de desvio padrão de qualquer fronteira, o resultado lista também os estilos vizinhos. Com essa divisão, cerca de 32% das pessoas saem com estilo seguro, 18% com ansioso, 19% com evitativo e 31% com evitativo temeroso. Artigos de divulgação costumam dizer que mais da metade das pessoas tem estilo seguro. Esses números vêm de pesquisas em que as pessoas escolhiam uma entre várias descrições já formuladas, e não da divisão de duas escalas, por isso os valores diferem. Como funcionam os quatro estilos e a zona de fronteira é tema de um panorama à parte.

A ECR-RS: relações com pessoas específicas

A ECR-R pergunta sobre relacionamentos amorosos em geral. A continuação, a ECR-RS, traz 9 afirmações curtas sobre uma pessoa específica: sua mãe, seu pai, a pessoa com quem você se relaciona ou sua melhor amizade, e, nas versões mais recentes, também sobre as relações próximas em geral (Fraley et al., 2011). Seis afirmações tratam da evitação, as quatro primeiras invertidas, e três tratam da ansiedade.

Nosso teste tem 72 afirmações: 36 da ECR-R e quatro blocos da ECR-RS (pessoas próximas em geral, mãe, pai, amizade). Não há bloco separado para a relação amorosa, porque quase todas as afirmações desse bloco coincidem com afirmações da ECR-R. O ponto do relacionamento amoroso é calculado a partir das 9 afirmações correspondentes da ECR-R, e isso é uma aproximação, não uma medida direta.

As normas para cada relação vêm de um estudo em que duas amostras online, de 2.399 e 2.300 pessoas, responderam sobre todas essas figuras (Fraley et al., 2015). Essas distribuições são claramente assimétricas: muita gente dá à mãe as notas mais baixas de ansiedade. Por isso calculamos os percentis das relações com um modelo assimétrico, e no extremo da escala os valores são aproximados.

Até que ponto dá para confiar no questionário

A consistência interna é alta nas duas escalas, com alfa de 0,90 ou mais. A estabilidade também se sustenta: quando as pessoas responderam de novo depois de três e de seis semanas, as pontuações latentes compartilharam 85% e 86% da variância (Sibley & Liu, 2004; Sibley et al., 2005). A ECR-RS também é confiável, com alfas de 0,81 a 0,92 nas diferentes relações no estudo de 2015 (Fraley et al., 2015).

Há limites. A análise de resposta ao item mostra que o questionário é mais preciso para pessoas com ansiedade ou evitação marcantes e menos preciso no extremo baixo, perto do canto seguro. Além disso, a ECR-R reflete a forma como as próprias pessoas enxergam suas relações. O questionário se relaciona só fracamente com a Adult Attachment Interview (AAI), que avalia como as pessoas falam da própria infância: a correlação fica em torno de 0,09 (Roisman et al., 2007). São duas visões diferentes do apego, que se complementam, e nenhuma delas é um diagnóstico.

Versões curtas e traduções

A forma curta mais conhecida, a ECR-S, com 12 itens, foi construída a partir da ECR original de 1998, e não da ECR-R (Wei et al., 2007). Só 7 das suas afirmações coincidem com a ECR-R, e a escala tem normas próprias. Também existem versões curtas da própria ECR-R, como uma forma russa de 14 itens (Chistopolskaya et al., 2018), e outras em várias línguas, cada uma com suas normas e pontos de corte.

Nós usamos o questionário completo. Formas curtas funcionam bem em estudos grandes, em que importam as médias do grupo, mas, para uma pessoa só, dão uma estimativa mais grosseira e dependem mais de cada resposta isolada: numa forma curta, uma única resposta impulsiva pesa bem mais no resultado final. Fizemos nossa própria tradução das 36 afirmações e mantivemos a escala original de 1 a 7, para que os resultados possam ser comparados com as normas de Fraley. As formulações sobre a pessoa amada são neutras quanto ao gênero.

Perguntas frequentes

  1. Onde encontrar a ECR-R em PDF?
    As afirmações, a chave de pontuação e as normas estão na página de Fraley sobre o instrumento, com link nas fontes abaixo. Sem permissão dos autores, as escalas só podem ser usadas em pesquisas sem fins comerciais. Para responder ao questionário e ver suas pontuações com percentis na hora, use o nosso teste.
  2. Dá para responder à ECR-R numa escala de 1 a 5?
    Dá, mas então as normas de Fraley deixam de valer, porque foram coletadas numa escala de 1 a 7. Algumas traduções, como a coreana, usam cinco pontos e pontos de corte próprios. Mantivemos os sete pontos para que a comparação das suas pontuações com as normas de Fraley continue justa e direta.
  3. Existe versão brasileira da ECR-R?
    No Brasil, há estudos de validação da ECR original e da ECR-RS. Existe ainda a ECR-R-Brasil, mas, apesar do nome, não é a ECR-R de Fraley: é uma versão reduzida da forma curta ECR-S, e o “R” quer dizer “Reduzida”. Uma ECR-R brasileira completa não encontramos. No nosso teste, as afirmações em inglês são as originais; as versões em russo, japonês, italiano e português são traduções nossas, independentes das adaptações publicadas, na escala original de sete pontos, para que todas as línguas possam ser comparadas com as normas de Fraley.
  4. É o mesmo teste do site de Chris Fraley?
    As afirmações (na nossa tradução) e a chave são as mesmas, porque se trata da ECR-R. Mas o ECRtest não tem vínculo com os autores do instrumento. Fraley mantém seu próprio teste de pesquisa no site da universidade, enquanto nós pontuamos as respostas com a chave e as normas publicadas e acrescentamos o mapa das relações, percentis e descrições escritas.

Fontes

  1. Brennan K. A., Clark C. L., Shaver P. R. (1998). Self-report measurement of adult attachment: An integrative overview. In J. A. Simpson, W. S. Rholes (Eds.), Attachment theory and close relationships (pp. 46-76). New York: Guilford Press.
  2. Fraley R. C., Waller N. G., Brennan K. A. (2000). An item response theory analysis of self-report measures of adult attachment. Journal of Personality and Social Psychology, 78(2), 350-365.
  3. Schmitt D. P., Alcalay L., Allensworth M., et al. (2004). Patterns and universals of adult romantic attachment across 62 cultural regions. Journal of Cross-Cultural Psychology, 35(4), 367-402.
  4. Sibley C. G., Liu J. H. (2004). Short-term temporal stability and factor structure of the revised experiences in close relationships (ECR-R) measure of adult attachment. Personality and Individual Differences, 36(4), 969-975.
  5. Sibley C. G., Fischer R., Liu J. H. (2005). Reliability and validity of the revised Experiences in Close Relationships (ECR-R) self-report measure of adult romantic attachment. Personality and Social Psychology Bulletin, 31(11), 1524-1536.
  6. Roisman G. I., Holland A., Fortuna K., et al. (2007). The Adult Attachment Interview and self-reports of attachment style: An empirical rapprochement. Journal of Personality and Social Psychology, 92(4), 678-697.
  7. Wei M., Russell D. W., Mallinckrodt B., Vogel D. L. (2007). The Experiences in Close Relationship Scale (ECR)-Short Form: Reliability, validity, and factor structure. Journal of Personality Assessment, 88(2), 187-204.
  8. Fraley R. C., Heffernan M. E., Vicary A. M., Brumbaugh C. C. (2011). The Experiences in Close Relationships - Relationship Structures Questionnaire. Psychological Assessment, 23(3), 615-625.
  9. Fraley R. C., Hudson N. W., Heffernan M. E., Segal N. (2015). Are adult attachment styles categorical or dimensional? A taxometric analysis of general and relationship-specific attachment orientations. Journal of Personality and Social Psychology, 109(2), 354-368.
  10. Chistopolskaya K. A., et al. (2018). Adaptation on a Russian sample of the short version of the Experiences in Close Relationships-Revised questionnaire. Psikhologicheskii Zhurnal, 39(5), 87-98.
  11. Fraley R. C. (n.d.). Experiences in Close Relationships-Revised (ECR-R) Questionnaire. University of Illinois at Urbana-Champaign.

Verificado em 5 de outubro de 2026

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